Alteração tributária pode incentivar empresas brasileiras a avaliar fornecedores nacionais de tecnologia.
“Ao contratar soluções nacionais, as empresas se protegem da oscilação do dólar e de possíveis novos aumentos de impostos, além de garantirem segurança e tranquilidade na gestão de seus dados.”
Junior Machado, CEO da Opus Tech
Atualização no IOF traz novos custos para serviços internacionais
O mês de julho marcou uma reviravolta nas transações internacionais feitas por brasileiros. O governo federal, com aval do Supremo Tribunal Federal (STF), restabeleceu a alíquota de 3,5% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para compras internacionais com cartão, aquisição de moeda estrangeira e transferências ao exterior.
A medida, que tinha sido derrubada pelo Congresso em junho, foi retomada por decisão judicial e já impacta consumidores, turistas e empresas que realizam transações internacionais.
Conversamos com o Jean Rogenski, que é especialista em investimentos, sócio da Equit Capital, sobre essa questão que está apavorando os brasileiros nos últimos dias.

Segundo Jean, “Bilhões de dólares em serviços de tecnologia consumidos por empresas brasileiras acabaram de ficar mais de 3% mais caros. O aumento do IOF para 3,5% sobre serviços do exterior é uma mudança que pode redefinir a competitividade de setores inteiros da economia nacional.”
O IOF para contratação de serviços do exterior passou de 0,38% para 3,5%, o que faz com que o impacto seja maior para o setor de serviços, do que as tarifas de 50% impostas pelos EUA sobre produtos tangíveis brasileiros.
Jean conta que há um paradoxo nessa questão: importar um computador físico do exterior tem IOF zero, mas contratar serviços de computação em nuvem, que são mais eficientes e sustentáveis, gera 3,5% de IOF.
Isso quer dizer que se esse aumento realmente se consolidar, os produtos e serviços oriundos do exterior ficarão muito mais caros e impactarão empresas de vários setores.
Trazendo o foco para serviços tecnológicos, como soluções de software, serviços de nuvem, logística e outros, esse aumento de imposto pode ser bastante substancial, levando em conta que muitas empresas ainda optam por contratar empresas do exterior para realizarem estes serviços. E este tipo de aumento pode não ser estratégico para o país, no sentido de desenvolvimento, afinal, estamos tornando nossas empresas menos competitivas em um mundo cada vez mais conectado.
“Diante desse cenário, buscar alternativas nacionais não é apenas uma opção, mas uma estratégia cada vez mais vital para a sustentabilidade e competitividade das empresas brasileiras”, comenta Jean.
Na visão do Jean, contratar provedores brasileiros pode não apenas reduzir a carga tributária do IOF, mas também fortalecer a economia local, gerar empregos no país e, em muitos casos, oferecer um suporte mais ágil e adaptado às necessidades do mercado nacional. Pensem nisso como uma forma de mitigar o “Custo Brasil” e, ao mesmo tempo, investir no desenvolvimento do próprio país.
Empresas como a Opus Tech, especializada em computação em nuvem dedicada, especializada em hospedagem de ERP e cibersegurança, reforçam a importância de olhar para o mercado interno.

Para o CEO da empresa, Junior Machado, a previsibilidade financeira é uma das maiores vantagens. “Ao contratar soluções nacionais, as empresas se protegem da oscilação do dólar e de possíveis novos aumentos de impostos, além de garantirem segurança e tranquilidade na gestão de seus dados”, explica.
O aumento do IOF ainda gera dúvidas e preocupa diferentes setores. Especialistas recomendam que as empresas analisem cuidadosamente suas estratégias de contratação de serviços internacionais, levando em consideração não apenas o custo, mas também os riscos tributários e a sustentabilidade de longo prazo.